domingo, 3 de agosto de 2014

Carta do dia: Do que eu não quero esquecer

Filha,
hoje você faz 20 dias de vida. Parece que você sempre esteve aqui com a gente, o tempo passa muito diferente quando estamos dentro da mudança. E posso dizer que é uma delícia te ter aqui fora e ir vivendo tudo isso com você, vendo suas reações a cada novo dia e curtindo muito essa fase. 

Sexta e sábado, por exemplo, seu padrão de sono e mamadas mudou. Você ficou mais "carente", digamos assim, só queria colinho da mamãe ou do papai. Na madrugada de sexta pra sábado praticamente não dormimos, nós duas, e você, que sempre tira uma grande soneca de manhã (que me deixa dormir mais um pouco também), simplesmente não dormiu. Dia inteiro de pouquíssimas sonecas e muitas mamadas, foi assim ontem. Eu estava bem cansada, você também. À noite, seu pai te deu banho (que você sempre fica calma), mas não funcionou, você quis mamar no meio da troca de roupa e só de ter que esperar 1 minuto a mais pra chegar até mim, a coisa ficou feia. Você ficou muito brava, não conseguia pegar o peito direito, brigava, gritava, chorava. Eu quase chorei também. Seu pai e eu conversamos muito com você, te passamos muita segurança (pelo menos tentamos), mas você ainda estava chateada. Fui pro quarto sozinha com você, liguei a musiquinha de ninar com ruído branco, baixei a luz e fiquei em pé, enquanto você mamava, conversando contigo e te ninando, por quase 2 horas. Aí você dormiu. Foi só o tempo de eu ir ao banheiro e pedir pra fazerem algo pra eu comer... você acordou e voltou pra mim. Era importante pra você que estivéssemos bem coladinhas, então assim foi. Eu tinha muito sono e minhas costas doíam um pouco, mas permaneci assim, porque era assim que estava funcionando. Acabamos dormindo juntas, você em cima de mim (assim como foi na outra noite também - foram 2 dias bem juntinhas, o máximo que conseguimos). A madrugada foi um pouco mais produtiva do que a anterior, dormimos mais. Aí hoje, quando acordamos, seu pai foi trocar sua fralda e trocar o pijama por uma outra roupinha. Quando colocou o macacão, que até esses dias estava folgado... tchanam!! Estava do tamanho cer-ti-nho! Eu tinha percebido que você havia crescido, mas hoje foi demais de lindo. Filha, como você cresceu, meu amor. E engordou também, dá pra sentir que você está mais pesadinha e que a perninha tá mais fofa. Eu cheguei a falar com seu pai ontem sobre picos de crescimento, até lemos sobre o assunto e vimos que tinha um por agora mesmo. Mas ver acontecer assim, bem debaixo do nosso nariz, foi lindo. Você acordou hoje super calma, como sempre, tava de bem com a vida - e assim permaneceu durante todo o dia. 

E eu não quero me esquecer disso. De como enfrentamos esses dias difíceis. Da sua mãozinha no meu peito enquanto mamava, de como resmungava mesmo quando já estava se acalmando. Não quero esquecer nem que eu queria ir ao banheiro de madrugada, mas só fui de manhã, porque você estava muito calma em cima de mim, e eu não quis mexer em você. Nem do fato de que seu pai precisou me dar comida na boca num determinado momento.

E das coisas todas que já aconteceram nesses dias, também não quero esquecer:
do cheirinho de leite na sua mini boquinha depois que mama; do seu olhar quando tomou banho de balde pela primeira vez - sério, foi uma das cenas mais lindas que já vi. De você procurando o peito feito um pica-pau, e de como você para de mamar, dá uma respirada ou ajeita a cabeça e volta com tudo pra mim. Dos seus sorrisos involuntários, que você dá desde o primeiro dia de vida. De como você mama com as perninhas cruzadas - e também fica assim desde que nasceu...

Tanta coisa, filha. Tanta coisa que eu queria guardar num potinho. O mais legal de tudo é saber que isso é apenas o começo, que tem um tanto enorme de vida esperando por você, por nós... 

Que bom que você veio, filha, que bom. Muito obrigada!


com amor,
mamãe.




6 comentários:

  1. Tô aqui amamentando, ganhando carinho da Cecília, e as lágrimas estão escorendo: de emoção pelo seu texto e a relação de vcs duas, de saudades de quando minha Pica-pau era pequenininha assim (somou-se essas bicadas que vc descreveu com cabelo arrepiado e o apelido pegou de vez!!), de arrebatamento por tanto amor - aí e aqui!!!

    Vc me fez abrir o potinho, fuçar em tudo que ja foi guardado até agora e me emocionar com tudo que tenho pra guardar ainda...

    Um abraço bem gostoso nessa dupla grudada e querida!!

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  2. Que lindo, eu leio seus textos e só consigo ficar com os olhos marejados e plena de amor. Em breve sentirei tudo isso e poderei viver o que você está vivendo, com o meu Miguel. Acho que não há palavras que expressem né?
    Só consigo pensar que a Agnes escolheu a família certa para presentear e que sorte a dela ter uma mãe como você, que coisa boa.
    Desejo tudo de maravilhoso para vcs <3
    Beijo grande

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  3. Como o tempo passa rápido, meu Deus. E como seu texto me da uma vontade louca de correr no quarto do pequeno, tirar ele do berço e encher de beijo, abraço e amor. Muito lindo esse seu jeito tão compreensivo e paciente de maternar.
    Bja

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  4. Que delícia! Delícia tu se entregar às necessidades dela sem pensar que colo estraga, que tem que aprender a dormir sozinha, e todas essas coisas que nossa sociedade cobra. Acho que ter informação ajuda muito a gente a passar por esses momentos de "crise" né?
    Agnes é uma menininha de sorte <3
    Beijos

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  5. Tão bom ver vc feliz com sua filha Deus abençoe mt vi o post anterior ela e linda bj!

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  6. Que texto contagiante e tocante Deus as abençoe.

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