quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Relato de parto, parte I

Desde o começo da gravidez eu repito sempre uma mesma frase: o tempo da Agnes é muito precioso. Sempre senti isso, em diversos momentos. E sempre senti que era um tempo diferente. Diferente do padrão, diferente do meu tempo. Esse era só dela. E não teve momento mais propício do que o seu nascimento para me mostrar que sim, esse meu sentimento estava certo. 

A Janie, minha doula, me disse em um dos nossos encontros que a gente só sabe mesmo quando começou o trabalho de parto depois que ele acaba. Do tipo "ah, aquela dorzinha que eu senti quando estava em tal lugar, já era o início". Achei engraçado no dia, e depois vi que é desse jeitinho mesmo que acontece. 

Na madrugada de domingo (dia 13 de julho), por volta de umas 03:00 da manhã, comecei a sentir umas cólicas no pé da barriga e na lombar. O dia anterior tinha sido agitado, de certa forma, marido e eu fizemos caminhada duas vezes no dia, eu estava super bem disposta - na noite de sábado, inclusive, já sentia umas fisgadas fortes e o início de uma dorzinha, mas como tinha me movimentado bastante, atribuí a isso. 

Como eu só sentia as cólicas e não a barriga dura como nas contrações, fiquei observando (depois percebi que a barriga ficava dura, sim, mas não doía nada, só em baixo mesmo). Eram leves e não duravam muito, mas percebi que o negócio estava vindo com uma certa regularidade. Era como se viesse uma onda que ia crescendo, chegava num ponto e ia caindo até acabar. Quando eu vi que não estava passando, mandei mensagem pra Janie, pra avisar que tinha algo rolando. Ela falou pra eu tentar descansar ao máximo, porque não sabíamos quanto ia demorar até engatar mesmo e coisa e tal. Ok. Só que quem disse que eu conseguia dormir? Fiquei deitada, mas rolou no máximo uns cochilos só. Meus pais foram pra missa (saem 5 e pouco da madrugada pra ir a missa) e eu levantei pra andar um pouco e tomar um banho. A essa altura, eu já tinha acordado o Cleber e contado a novidade. Lembrei que, além de descansar, seria bom eu me alimentar também, e como estava mesmo com fome, liguei pros meus pais passarem na feira e trazer frutas pra fazer vitamina. Em algum momento eu cronometrei as dores - que sim, estavam bem suportáveis, eu nem precisava de uma posição específica para passar por elas, então estava tranquila quanto a isso, só o que me fez contar foi perceber que elas vinham com regularidade - e para minha surpresa, estava numa média geral de 3 ou 4 minutos (não todas, algumas vinham com mais espaço, mas a média foi essa) e durando uns 20 e poucos ou 30 segundos. Ou seja, minha gente, tinha algo acontecendo, sim. 

Meus pais chegaram empolgadíssimos da rua, já no clima de "a Marina está em trabalho de parto, que legaaal!!!" e isso me deu uma travada. Porque assim, o negócio tava só começando, eu não queria alarde. Na verdade, esse foi um ponto complicado do TP: lidar com a ansiedade e animação deles versus a minha vontade de me isolar, feito bicho mesmo, pra parir minha filha no meio do mato. Não sei o quanto isso empacou o processo como um todo, mas sei que não foi como eu imaginava. Enfim. Falei pra eles que aquilo ainda nem era trabalho de parto, expliquei o que são pródromos, e que eu não queria que ninguém soubesse ainda, pra não causar mais ansiedade fora de hora na família 


A Janie resolveu vir aqui ver pessoalmente como eu estava, já que a dor vinha rápido, mas eu não tinha nenhum outro sinal. Tomei outro banho enquanto ela não chegava. Ela chegou, conversamos um pouco e percebemos que tinha espaçado mais. Ela viu que eram curtas. O negócio é que já era quase hora do almoço e eu ainda não tinha dormido. Precisava descansar, pra ter energia. Depois de um tempo ela foi embora e voltaria quando a coisa andasse; ficamos em contato. 

Os intervalos entre as contrações continuaram espaçados no restante da tarde, aí sim parecia o começo de tudo. Eu estava meio nervosa porque queria ficar sozinha e não tava rolando. À tarde eu fui pro quarto com o Cleber e conseguimos dormir (tanto que nem vimos o jogo da final da Copa, rs). E comecei a perder um tiquinho de tampão. Até então eu meio que sabia que não tinha dilatação ainda, sei lá, pra mim só começaria de fato quando viesse o tampão (vai entender, rs). Foi bem pouquinho mesmo, mas já vi que a roda estava girando. 

Na madrugada de segunda foi a mesma coisa da anterior: dores e eu acordada a maior parte do tempo. Quando amanheceu, estavam mais fortes, e perdi mais tampão. Tomei café da manhã em pé, porque sentada incomodava um bocado. Não sei explicar direito, mas pra mim ainda faltava muito até ela chegar (e agora percebo que faltava mesmo, mas não taaanto assim, hehe). As dores vinham sempre iguais, desde o começo, e como já começou com intervalos pequenos, depois é que espaçaram, não sabia ao certo quando considerar trabalho de parto ou não. Até porque eu não estava fazendo "nada". Só tomava banho e seguia a "ordem" de descansar. Eu estava muito tranquila quanto a dor e tudo mais.



as duas fotos já são na Casa Angela, não tenho registros em casa.

Um comentário:

  1. Ansiosa para ler o resto!!! ate aqui ta tudo tranquilo para quem ta de fora é claro rs conta mais!!!!! mt saúde para vcs bjo

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